A Raia Drogasil (RD), maior rede de farmácias do Brasil, está em negociação com operadoras de planos de saúde para estabelecer parcerias que possibilitem atendimentos iniciais em suas unidades, visando desafogar os prontos-socorros dos hospitais.
De acordo com o CEO Renato Raduan, que assumiu o cargo em janeiro de 2024 após uma reestruturação no comando da companhia, 80% dos atendimentos em prontos-socorros correspondem a casos de baixa complexidade, como gripes, resfriados e dores de garganta. Ele destacou que, ao oferecer esses serviços nas farmácias, seria possível reduzir custos e otimizar o sistema de saúde.
Parcerias estratégicas com empresas
Além disso, a RD está desenvolvendo um programa voltado ao acompanhamento da saúde de funcionários de empresas, indo além dos tradicionais descontos em medicamentos. O objetivo é reduzir o absenteísmo e a sinistralidade dos planos de saúde. A empresa já utiliza a Healthbit, uma startup adquirida há três anos, para analisar dados populacionais e propor intervenções direcionadas, como programas de acompanhamento para diabéticos ou gestantes.
Atualmente, três empresas participam de programas-piloto que integram as farmácias da RD no monitoramento da saúde de seus funcionários. Segundo Raduan, o plano é expandir essas iniciativas e consolidar parcerias com outras companhias.
Expansão e novos serviços
A RD projeta abrir entre 330 e 350 lojas em 2025, ampliando sua presença no mercado, que já conta com 3,2 mil unidades e cerca de 12 mil farmacêuticos. Nos últimos anos, a empresa também tem investido em serviços de saúde, como vacinas e testes rápidos, que somaram 7 milhões de atendimentos em 2024.
Raduan destacou que a farmácia desempenha um papel essencial como agente de saúde, especialmente após a liberação de vacinas em farmácias, em 2019, e de testes rápidos durante a pandemia de covid-19. Com a proximidade de suas unidades de grande parte da população brasileira, a empresa busca atuar como parceira no cuidado inicial à saúde, aliviando a pressão sobre o sistema hospitalar.
Debate sobre venda de medicamentos em supermercados
Sobre a possibilidade de venda de medicamentos sem prescrição em supermercados, proposta que vinha sendo estudada pelo governo, a RD reafirmou sua posição alinhada à Abrafarma, apontando riscos envolvidos na comercialização desses produtos em redes de alimentos.
Estratégia para o futuro
Embora o setor farmacêutico seja considerado resiliente, a RD busca otimizar despesas e melhorar margens operacionais. No terceiro trimestre de 2024, a margem EBITDA da empresa subiu 0,4 ponto percentual, alcançando 7,5% da receita. A empresa reconhece, no entanto, os desafios trazidos por fatores externos, como a inflação e a variação cambial, que impactam diretamente os reajustes de preços de medicamentos e custos operacionais.
Raduan concluiu que a empresa mantém um orçamento otimista para 2025, apesar das incertezas econômicas, e continua apostando na expansão e na diversificação de serviços para fortalecer sua posição no mercado.