A Roche viu a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) emitir um parecer contrário à inclusão de seu medicamento contra a Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em reação a essa negativa, a farmacêutica propôs disponibilizar gratuitamente à rede pública testes rápidos para detecção do coronavírus, o que facilitaria a logística de uso desse remédio. As informações são da Agência Estado.
O coquetel de anticorpos Regn-Cov2 recebeu a autorização da Anvisa para uso emergencial contra a Covid-19, sendo indicado para pacientes com quadros leves e moderados e com fator de risco para agravamento da doença. No entanto, a Conitec alegou que há dificuldades de aplicação do medicamento dentro do período indicado pelo fabricante, em até dez dias após o início dos sintomas. Além disso, o órgão entende que o nível de evidências sobre o desempenho da droga ainda é baixo.
Por essa razão, a Roche fez uma contraproposta para ofertar 600 mil testes de antígeno ao Ministério da Saúde. “Compreendemos o argumento de que o uso da medicação adiciona complexidade ao sistema de saúde, mas, frente ao benefício que ele traz para evitar internações, poderemos oferecer testes sem custo que podem detectar a doença em 30 minutos e facilitar esse uso”, afirmou Lenio Alvarenga, diretor de Acesso e Médico da Roche Farma Brasil.
O volume de 600 mil testes foi calculado com base em 150 mil doses do medicamento que seriam incorporadas em caso de parecer favorável da Conitec. Segundo Alvarenga, a previsão é de oferta de quatro testes para cada um positivo. Cada dose é suficiente para um paciente e a terapia exige apenas uma única aplicação por infusão. O custo unitário seria de R$ 6,9 mil, mas, segundo análise da Conitec, geraria uma economia anual de R$ 76 milhões ao SUS ao evitar custos maiores com hospitalizações.
O Ministério da Saúde foi questionado sobre a negociação com a Roche, mas não respondeu.
Fonte: Panorama Farmacêutico 28.05.2021
