Negócio amplia presença da farmacêutica francesa nos EUA e reflete foco em inovação após reestruturação de portfólio global
A Sanofi anunciou a aquisição da norte-americana Blueprint Medicines por até US$ 9,5 bilhões, em sua maior transação recente voltada à renovação do pipeline terapêutico. O acordo representa um passo decisivo da farmacêutica francesa para acelerar sua estratégia de crescimento em oncologia, especialmente após a venda do controle acionário de sua unidade de consumer health para a Clayton Dubilier & Rice.
Trata-se da terceira operação de M&A da Sanofi em 2025, evidenciando a postura mais agressiva da companhia frente à estagnação de alguns de seus programas internos de P&D, que apresentaram resultados aquém do esperado em estudos clínicos recentes. Durante teleconferência com investidores, executivos da empresa indicaram que novas aquisições ainda estão no radar.
A transação com a Blueprint, especializada em terapias direcionadas contra cânceres com alterações genéticas específicas, deve ser concluída no terceiro trimestre. A expectativa da Sanofi é de que o negócio seja financeiramente benéfico já a partir de 2026, contribuindo de forma imediata para a margem bruta e para o lucro operacional da companhia.
Foco no mercado americano e expansão da capacidade produtiva
A aquisição reforça o posicionamento estratégico da Sanofi no mercado norte-americano. Em maio, a empresa anunciou um plano de investimentos de pelo menos US$ 20 bilhões nos EUA até 2030, com foco prioritário em pesquisa e desenvolvimento e ampliação da capacidade de fabricação local.
Parte substancial desses recursos será aplicada na aceleração de projetos científicos e na consolidação de parcerias industriais com empresas locais, com o objetivo de garantir autonomia e agilidade na produção de medicamentos críticos dentro do território norte-americano.
No mercado, o reflexo foi imediato: às 15h16 (horário de Brasília), as ações da Blueprint Medicines registravam alta de 25,9% na bolsa de Nova York, enquanto os papéis da Sanofi recuavam 1,84% em Paris, refletindo a cautela de investidores diante do montante envolvido.