Anúncio vem após o presidente francês convocar a diretoria da farmacêutica por conta de dizer que os pacientes americanos teriam prioridade numa vacina.
A Sanofi prometeu investir mais de 600 milhões de euros em pesquisa e produção de vacinas na França, em resposta ao pedido do presidente Emmanuel Macron para que o país tenha acesso a qualquer vacina que a farmacêutica francesa desenvolva contra o novo coronavírus.
Especialistas em saúde pública dizem que a disputa entre Estados Unidos e China pelas vacinas contra o vírus está alimentando uma espécie de “nacionalismo de vacinas”, uma corrida geopolítica para se tornar o primeiro país a imunizar sua população.
No mês passado, o presidente francês convocou a alta administração da Sanofi para seu escritório depois que o presidente-executivo Paul Hudson disse que os pacientes americanos podiam esperar qualquer dose da vacina primeiro porque os Estados Unidos haviam financiado a pesquisa e o desenvolvimento do trabalho da Sanofi.
Nesta terça-feira (16), a Sanofi disse que investirá 490 milhões de euros por um período de cinco anos para construir uma nova fábrica de vacinas no sudeste da França, juntamente com 120 milhões de euros para estabelecer um novo centro de pesquisa e desenvolvimento por lá.
O investimento faz parte dos esforços da França para aumentar sua capacidade de fabricação e reduzir sua dependência de importações de bens essenciais, como medicamentos. A França enfrentou escassez de máscaras e medicamentos básicos, como o paracetamol, durante o pico da pandemia de covid-19.
“Essa crise mostrou que devemos continuar produzindo em nosso país e nosso continente”, disse Macron, em um discurso aos funcionários da Sanofi.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está pressionando por um acordo global com o objetivo de garantir acesso justo a qualquer vacina, e vários países — incluindo França, Reino Unido e Alemanha — prometeram apoio. Porém os detalhes ainda precisam ser elaborados e terão de abordar questões difíceis sobre quanto financiamento cada país fornece e como
o fornecimento seria priorizado.
America first
A Sanofi esclareceu que os Estados Unidos não tinham nenhuma reivindicação formal sobre as primeiras doses de qualquer vacina. Mas seu acordo com o governo americano acelerará a produção de vacinas nas fábricas da empresa em território americano, e esse fornecimento será destinado principalmente aos americanos. A empresa também garantiu ao governo francês que qualquer vacina da Sanofiseria distribuída na França.
Mais de 130 vacinas diferentes contra a covid-19 estão em desenvolvimento, com dez delas atualmente sendo testadas em humanos, segundo a OMS. Cinco delas estão na China, três nos Estados Unidos, uma na Alemanha e uma no Reino Unido. A Sanofi ainda não começou a testar sua vacina.
AstraZeneca
No sábado (13), Alemanha, França, Itália e Holanda também assinaram um acordo conjunto com a AstraZeneca para garantir o fornecimento à União Europeia de até 400 milhões de doses de uma possível vacina contra o novo coronavírus, que está sendo desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, informou o governo francês.
A AstraZeneca concordou em vender a vacina a preço de custo e começar a enviar as primeiras doses antes do fim do ano. O governo francês espera fechar acordo similar com a Sanofi.
Fonte: Valor Econômico 16.06.2020
