Farmacêutica indiana concorre com EMS e outros players por participação estratégica no mercado brasileiro de genéricos.
A farmacêutica indiana Sun Pharma emergiu como um dos principais interessados na aquisição da Medley, reforçando a concorrência ao lado da EMS, enquanto outros players, como Aché, Biolab, Hypera e a gestora Vinci Partners, acompanham de perto o processo. As informações foram divulgadas pelo Valor Econômico.
O processo de venda da Medley, controlada anteriormente pela Sanofi, acompanha o movimento de independência do laboratório brasileiro iniciado em agosto do ano passado. Desde então, a transação tem atraído a atenção de múltiplos investidores e empresas do setor farmacêutico.
Durante a primeira fase das negociações, EMS e Aché se destacaram com ofertas superiores a R$ 2,4 bilhões. No entanto, os valores ainda se encontram abaixo dos R$ 5,4 bilhões inicialmente projetados pela Sanofi, o que abre espaço para que a Sun Pharma se posicione como um competidor estratégico, com potencial de apresentar uma proposta mais robusta.
O interesse da Sun Pharma se alinha à sua estratégia de expansão no mercado brasileiro de genéricos. Avaliada em cerca de US$ 44 bilhões (R$ 228,37 bilhões) na bolsa, a empresa já atua no país por meio da importação de fármacos destinados aos setores público e hospitalar, e pretende ampliar sua presença local aproveitando o custo de produção mais baixo na Índia, que permite preços competitivos mesmo diante de despesas logísticas.
Segundo especialistas do setor, a aquisição da Medley representaria para a Sun Pharma a consolidação de um portfólio relevante e o acesso a uma marca consolidada no Brasil. “Eles dominam a matéria-prima e a Medley agregaria reputação e portfólio, mas não vejo uma possível compra de fábricas brasileiras como um vetor de transformação imediata para a indústria nacional”, afirmou um executivo do setor sob anonimato.
A expectativa é que a Sanofi receba propostas vinculantes entre o final de fevereiro e o início de março, etapa que definirá o futuro da Medley e pode alterar significativamente o cenário competitivo do segmento de genéricos no país.