Sanofi entra na fase decisiva do processo com seis interessados estratégicos e avaliação mínima em US$ 500 milhões no mercado brasileiro.
A venda da Medley, braço de medicamentos genéricos da francesa Sanofi, entrou em sua etapa final no Brasil. Seis grupos — Aché, Sun Pharma, EMS, Biolab, Hypera e a gestora Vinci — seguem na disputa e devem apresentar propostas vinculantes até o início de março, quando o processo avança para a decisão final.
De acordo com fontes do mercado, a Sanofi estabeleceu um valor mínimo de cerca de US$ 500 milhões para a transação, o que representa um múltiplo aproximado de dez vezes o Ebitda da companhia. O patamar é considerado elevado para o atual cenário do setor farmacêutico, o que pode restringir o número de propostas competitivas. A operação é conduzida pelo banco de investimento Lazard.
Entre os interessados, a indiana Sun Pharma desponta como uma das favoritas, impulsionada pelo câmbio e por sua forte atuação global em genéricos, além da produção própria de insumos farmacêuticos. A aquisição representaria sua entrada direta no varejo farmacêutico brasileiro. No grupo das nacionais, a EMS aparece como principal candidata, apesar da sobreposição parcial de portfólio com a Medley.
Atualmente, a Medley ocupa a quarta posição no mercado brasileiro de genéricos, atrás de EMS, Eurofarma e NeoQuímica, divisão da Hypera. O recente anúncio de aumento de capital da Hypera, de até R$ 1,5 bilhão, reforçou especulações de que a empresa possa usar os recursos para financiar uma aquisição relevante no segmento.
O processo de venda teve início no fim de 2024, mas enfrentou atrasos devido à complexidade operacional envolvendo fábricas compartilhadas com a Opella, unidade de saúde ao consumidor da Sanofi. Apesar do interesse estratégico no ativo, fontes indicam que o principal entrave segue sendo o valor pedido, visto como acima das expectativas de parte do mercado.
Em nota, a Sanofi afirma que avalia alternativas estratégicas para a Medley dentro de sua reorientação global, com foco em inovação, vacinas, inteligência artificial e pesquisa e desenvolvimento, reforçando o compromisso com a continuidade das operações e com o acesso à saúde no país.