Instituto Butantan apresenta resultados promissores de sua vacina contra a dengue, que se encontra na fase final de ensaios clínicos, indicando avanços significativos no combate à doença
Desde 2009, pesquisadores do Instituto Butantan estão imersos em estudos visando desenvolver uma vacina inovadora contra a dengue. Atualmente em fase final de ensaios clínicos, a vacina promete ser um divisor de águas no enfrentamento da doença que é considerada um problema de saúde pública no Brasil.
O Instituto Butantan, renomado produtor de vacinas e soros na América Latina, está na vanguarda desse projeto que, se bem-sucedido, pode impactar significativamente a saúde pública. A pesquisa, em parceria com o Instituto Nacional de Saúde Americano (NIH) e a farmacêutica MSD, está atualmente na fase 3, com resultados impressionantes.
Os dados revelados até o momento indicam que a vacina é tetravalente, abrangendo os quatro sorotipos do vírus da dengue. Um destaque crucial é a administração em dose única, simplificando o processo em comparação com outras candidatas, como a Qdenga do laboratório japonês Takeda, que exige duas doses.
Os resultados dos ensaios clínicos são promissores:
Fase 1: 100% de geração de anticorpos em pessoas que já tiveram dengue e 90% em indivíduos sem histórico da doença.
Fase 2: 100% de taxa de soroconversão após a primeira dose em quem já teve dengue e 92,6% em quem nunca foi infectado.
Fase 3: Eficácia geral de 79,6%, 89,2% em indivíduos com histórico de dengue e 73,5% em quem nunca teve contato com o vírus.
O Instituto Butantan destaca que, durante a fase 3, apenas 0,1% dos mais de 10 mil participantes apresentaram eventos adversos graves, todos completamente recuperados. A vacina é produzida utilizando tecnologia conhecida, envolvendo o cultivo do vírus atenuado em células Vero do macaco verde africano.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já se reuniu com representantes do Butantan para discutir o processo de registro da vacina. A fase 3 é considerada essencial pela Anvisa para definir o perfil de segurança e eficácia da dose.
Março de 2024 marca um marco crucial para a iniciativa, com a previsão do pedido de registro da vacina entre junho e julho. Caso aprovada, a vacina tetravalente do Butantan pode se tornar uma ferramenta valiosa na redução dos índices de dengue no Brasil, que já registrou 243.721 casos prováveis nas primeiras semanas de 2024. O enfrentamento eficaz dessa doença transmitida pelo Aedes aegypti pode representar um avanço significativo na saúde pública do país.