Imunizante da Pfizer, em parceria com o Instituto Butantan, amplia prevenção contra o VSR e deve beneficiar 2 milhões de recém-nascidos ao ano.
A partir da segunda quinzena de novembro de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) para gestantes, com o objetivo de proteger bebês nos primeiros meses de vida período considerado o mais vulnerável às complicações. O imunizante é desenvolvido pela Pfizer e será produzido no Brasil em acordo de transferência de tecnologia firmado com o Instituto Butantan.
A medida chega em um momento estratégico: em 2025, os casos de VSR em crianças de até dois anos aumentaram 52%, de acordo com dados da Fiocruz. O vírus é responsável por cerca de 80% dos episódios de bronquiolite e 60% das pneumonias nessa faixa etária. Só entre 2018 e 2024, o Brasil registrou mais de 83 mil internações de prematuros relacionadas à doença.
Segundo o Ministério da Saúde, as primeiras 1,8 milhão de doses adquiridas serão distribuídas até dezembro de 2025. A expectativa é prevenir aproximadamente 28 mil internações por ano, com impacto direto na redução da sobrecarga de UTIs pediátricas e pronto-socorros. A imunização também representa um alívio econômico para o sistema de saúde, já que na rede privada o valor do imunizante chega a R$ 3.680 para bebês.
Especialistas ressaltam que a imunização materna não apenas protege a gestante, mas garante a transferência de anticorpos ao recém-nascido, reduzindo significativamente o risco de complicações graves. “É uma proteção dupla que fortalece a saúde pública e ainda consolida a incorporação de inovação e tecnologia no país”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao anunciar a iniciativa.
Além da Abrysvo, vacina da Pfizer aprovada pela Anvisa em 2024, o SUS também incorporará o anticorpo monoclonal nirsevimabe, desenvolvido pela Sanofi, indicado para recém-nascidos e crianças de até 24 meses. Ambos os recursos reforçam o movimento global de ampliar estratégias contra o VSR, que já demonstraram, em outros países, reduzir em até 50% as visitas a serviços de emergência.
Com a inclusão no calendário nacional, o Brasil reforça sua posição como um dos primeiros mercados emergentes a estruturar políticas públicas de prevenção em larga escala contra o VSR. Para a indústria farmacêutica, trata-se de um avanço relevante na transferência de tecnologia, geração de conhecimento e consolidação do país como polo estratégico de inovação em vacinas.