Entidades promovem debate e lançam cartilha para enfrentar mercado ilegal que causa prejuízo de R$ 11,5 bilhões
A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) uniram forças para combater a crescente ameaça da falsificação de medicamentos. O tema foi o foco do webinar realizado em 30 de outubro, que reuniu representantes de grandes players do setor, incluindo Pfizer, Daiichi Sankyo, Novo Nordisk, Johnson & Johnson e Eli Lilly, para compartilhar casos reais ocorridos no Brasil.
O debate teve como objetivos centrais fortalecer os marcos regulatórios, ampliar a conscientização do público sobre os perigos do contrabando e da venda ilegal e promover a responsabilidade na prescrição entre profissionais de saúde. Na ocasião, foi apresentada a cartilha “Falsificação de Medicamentos – Cartilha de Conscientização aos Consumidores”, elaborada com apoio da Interfarma, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP).
Impacto e desafios do mercado ilegal
Os números apresentados reforçam a gravidade do problema. A venda online de produtos ilegais já representa 36% do total de itens falsificados, e o prejuízo estimado com medicamentos e produtos hospitalares falsos alcança R$ 11,5 bilhões. O problema atinge diretamente o consumidor: uma pesquisa do Procon revelou que 63% dos clientes já receberam um produto falsificado.
O cenário é agravado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que estima que um em cada dez medicamentos comercializados em países de baixa e média renda seja falsificado ou de baixa qualidade. O avanço das vendas em canais digitais não autorizados, como redes sociais e sites sem registro na Anvisa — prática proibida pela RDC nº 44/2009 — intensifica o risco.
Isabel Pimentel, diretora de comunicação da Interfarma, enfatiza a urgência: “Atuar no enfrentamento do mercado ilegal de medicamentos é tarefa de todos. Educar a população é essencial, mas também precisamos fortalecer as políticas públicas de controle e fiscalização. A falsificação de medicamentos não pode ser tratada como um crime menor; ela ameaça vidas todos os dias”.
Evelyn Tiburzio, diretora Técnica da Anahp, reforça que o problema afeta toda a cadeia da saúde, sendo uma ameaça real à segurança dos pacientes, à credibilidade das instituições e à sustentabilidade do setor.