A inteligência artificial (IA) começa a mudar uma das etapas mais caras e demoradas da indústria farmacêutica: os ensaios clínicos.
E como? Com ferramentas capazes de recrutar pacientes, desenhar estudos e até criar “gêmeos digitais” para simular respostas a medicamentos.
Pergunte a uma empresa farmacêutica sobre a abordagem atual dos ensaios clínicos e provavelmente ouvirá uma litania de queixas sobre um sistema falho e disfuncional. Em média, para se desenvolver um novo medicamento são necessários pelo menos dez anos e custos entre um a dois bilhões de dólares (790 milhões a 1,6 bilhões de francos). Cerca de 60 a 70% desse tempo é gasto nas três fases de testes em humanos. Quanto mais longo for um ensaio clínico, mais tempo levará para que o medicamento chegue aos pacientes.
Para piorar a situação, as empresas frequentemente desperdiçam tempo e dinheiro em testes de medicamentos que, em última análise, não são aprovados pelos órgãos reguladores. De cada 100 medicamentos que iniciam testes em humanos, cerca de 90 não recebem o sinal verde porque os testes não comprovam que os medicamentos são seguros ou eficazes.
“A indústria simplesmente aceitou que o risco e o fracasso fazem parte do desenvolvimento de medicamentos porque não havia outra opção”, disse Kevin Buyens, cofundador e diretor comercial da empresa de biotecnologia de IA TwinEdge Bioscience, no oeste da Suíça. “Mas isso está mudando. As tecnologias digitais podem ajudar a preencher essa lacuna”.
A inteligência artificial, especialmente os sistemas de aprendizado de máquina, já ajudou cientistas a identificar candidatos a medicamentos promissores, analisando grandes volumes de dados químicos e biológicos muito mais rapidamente do que os humanos.