O Brasil passou a integrar um grupo restrito de países capazes de validar a eficácia, a segurança e a conformidade dos lotes produzidos de medicamentos com reconhecimento internacional, uma etapa decisiva em um processo que pode custar cerca de US$ 2 bilhões, por novo medicamento, considerando desde a pesquisa básica até chegar ao mercado.
Com certificação de Boas Práticas de Laboratório (BPL), acreditada pelo Inmetro, a Crop Labs tornou-se um dos únicos laboratórios brasileiros habilitado a conduzir testes pré-clínicos in vitro de medicamentos com aceitação em países signatários da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 38 nações e garante qualidade, rastreabilidade e integridade dos estudos.
Isso significa que testes realizados no Brasil passam a ser reconhecidos por agências regulatórias em diferentes mercados, ampliando a validade internacional dos estudos conduzidos no país.
Além disso, a conquista permite que farmacêuticas e instituições nacionais — inclusive do setor de vacinas — desenvolvam e testem seus produtos localmente, reduzindo a dependência de laboratórios no exterior, acelerando processos e diminuindo custos.
“Essa possibilidade coloca o Brasil em um novo patamar dentro da cadeia de desenvolvimento de medicamentos. Os dados gerados aqui passam a ter validade internacional, o que muda a lógica de onde e como esses estudos são conduzidos. Na prática, empresas regionais podem ter amplitude de comercialização global.”, afirma Aruã Prudenciatti, cofundador e Diretor de Operações da Crop Labs.
Segundo o executivo, o desenvolvimento de um medicamento envolve alto risco e exige investimentos elevados, podendo alcançar até US$ 2 bilhões por produto — considerando todas as etapas, da pesquisa inicial à chegada ao consumidor final.
Nesse processo, os testes funcionam como um filtro técnico e econômico. Cerca de 70% dos medicamentos não avançam nas fases de desenvolvimento, principalmente por falta de eficácia ou por apresentarem efeitos adversos.
“Os ensaios existem justamente para identificar, o mais cedo possível, quais produtos não têm potencial de seguir adiante. Interromper um projeto nessa fase evita que bilhões continuem sendo investidos em algo que não vai chegar ao paciente”, diz o executivo.