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Atualização anual redefine as cepas para 2026 e inicia a transição para a retirada das vacinas tetravalentes.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou a nova composição das vacinas contra a gripe que serão utilizadas no Brasil em 2026. A atualização segue o protocolo global da Organização Mundial da Saúde (OMS), responsável por monitorar as variantes do vírus influenza e orientar a seleção das cepas com maior potencial de resposta imunológica.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, a revisão periódica é indispensável. O vírus influenza sofre mutações contínuas em proteínas de superfície, alterando sua capacidade de escapar da imunidade adquirida em campanhas anteriores. A atualização, portanto, busca garantir maior efetividade dos imunizantes diante das novas variantes dos subtipos A H1N1 e A H3N2.
A OMS elabora duas formulações anuais — uma destinada ao Hemisfério Norte e outra ao Hemisfério Sul — considerando sazonalidade, circulação viral e características epidemiológicas regionais. No Brasil, a vacinação para o Norte do país tende a iniciar em novembro, alinhando-se ao comportamento epidemiológico similar ao das regiões setentrionais do globo.
As embalagens das vacinas continuarão identificando o hemisfério e o período sazonal correspondente. A atualização das cepas não altera o perfil de segurança: os efeitos adversos mais comuns permanecem dor local, vermelhidão, febre baixa e sintomas leves como cefaleia e mialgia.
Formulações 2025–2026 para o Hemisfério Norte
O Brasil utiliza parte dessas vacinas em regiões onde a vacinação pelo SUS começa ainda em novembro. A oferta inclui versões trivalentes, quadrivalentes e alternativas não baseadas em ovos, todas produzidas com vírus inativados:
• Trivalentes: A/Victoria/4897/2022 (H1N1)pdm09; A/Croatia/10136RV/2023 (H3N2); B/Austria/1359417/2021 (linhagem Victoria).
• Quadrivalentes: mesmas cepas acima acrescidas de B/Phuket/3073/2013 (linhagem Yamagata).
• Não baseadas em ovos: A/Wisconsin/67/2022 (H1N1)pdm09; A/District of Columbia/27/2023 (H3N2); B/Phuket/3073/2013 (Yamagata).
Formulações para o Hemisfério Sul em 2026.
A partir de fevereiro, o calendário brasileiro incorporará as seguintes composições:
• Trivalentes: A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09; A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2); B/Austria/1359417/2021 (Victoria).
• Quadrivalentes: cepas acima com a adição de B/Phuket/3073/2013 (Yamagata).
• Não baseadas em ovos: A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09; A/Sydney/1359/2024 (H3N2); B/Austria/1359417/2021 (Victoria).
Descontinuação da vacina tetravalente
A OMS recomendou a retirada gradual das versões tetravalentes, motivada pela ausência de circulação da cepa B/Yamagata desde 2020. A Anvisa projeta iniciar essa transição em 2027. Segundo Mônica Levi, a manutenção da quadrivalente não representa vantagem imunológica adicional e pode gerar percepção equivocada de maior proteção. No entanto, a agência manterá a oferta durante 2026 para evitar desabastecimento, especialmente diante da menor disponibilidade de trivalentes no mercado nacional.
Público prioritário
No Sistema Único de Saúde, o esquema vacinal é direcionado a grupos mais suscetíveis a complicações, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos. Também integram o público-alvo profissionais de saúde, puérperas, professores, indígenas, pessoas em situação de rua, forças de segurança, militares, indivíduos com doenças crônicas, pessoas com deficiência, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários, além de indivíduos privados de liberdade.
Na rede privada, segue disponível a vacina de alta concentração para idosos, formulada com maior carga antigênica para ampliar a resposta imune nessa população.