A chegada de concentrações de 12,5 mg e 15 mg oferece opções personalizadas para pacientes com obesidade e diabetes tipo 2, reforçando estratégias de engajamento e posicionamento no mercado farmacêutico.
A farmacêutica Eli Lilly anunciou que a partir da segunda quinzena de março de 2026, o Brasil contará com as doses mais elevadas do medicamento Mounjaro, de 12,5 mg e 15 mg, completando o portfólio já disponível no País, que inclui as concentrações de 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg. O princípio ativo da medicação, a tirzepatida, é indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.
Segundo Felipe Berigo, diretor executivo de cardiometabolismo da Lilly, a expansão das doses representa um passo estratégico para oferecer alternativas individualizadas de tratamento, atendendo à complexidade crescente das doenças cardiometabólicas. “Com o portfólio completo, médicos e pacientes têm mais flexibilidade para decisões clínicas adaptadas a cada caso”, afirma.
O Mounjaro é administrado por via injetável, uma vez por semana, e atua como duplo agonista de hormônios intestinais — GLP-1 e GIP — promovendo o controle da glicemia e da saciedade. A resposta do paciente à medicação é dose dependente, e concentrações mais altas são recomendadas para casos de maior gravidade ou obesidade resistente à terapia inicial.
A endocrinologista Lívia Porto, do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ressalta que o tratamento sempre se inicia com doses baixas, de 2,5 mg, para minimizar efeitos adversos gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. A progressão para doses superiores é realizada de forma gradual, considerando perda de peso, composição corporal e tolerância individual do paciente.
Do ponto de vista estratégico para o mercado, a ampliação das opções terapêuticas reforça a capacidade da Eli Lilly de atender demandas específicas de pacientes e médicos, permitindo campanhas de marketing mais segmentadas e o fortalecimento da marca frente a soluções concorrentes. A medida também evidencia como inovações em dosagem podem influenciar a percepção de valor e engajamento do consumidor na indústria farmacêutica.