Com produção nacional e previsão de meio milhão de unidades em 12 meses, farmacêutica aposta na liraglutida para conquistar participação relevante no mercado de obesidade, que movimenta mais de R$ 3 bilhões no país.
A EMS, maior farmacêutica brasileira em volume de vendas, dá um passo estratégico no segmento de medicamentos para obesidade ao anunciar o lançamento da primeira caneta injetável genérica para emagrecimento no Brasil, à base de liraglutida. A nova linha, que chega às farmácias na primeira semana de agosto, marca a entrada da companhia em um mercado de alto potencial e crescimento acelerado.
O medicamento aprovado para o tratamento da obesidade será comercializado sob o nome comercial Olire. Paralelamente, a empresa também inicia a produção do Lirux, voltado ao controle do diabetes — ambos baseados na molécula de liraglutida, já amplamente conhecida entre médicos e pacientes. Juntas, as duas linhas têm potencial de gerar R$ 100 milhões em receita até o final de 2026.
De acordo com Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, o primeiro lote já contempla 100 mil unidades e a expectativa é ultrapassar 250 mil canetas até o fim deste ano, alcançando meio milhão em 12 meses. O lançamento ocorre sete meses após a obtenção da autorização da Anvisa e já segue as novas regras da agência, que exigem retenção de receita médica para aquisição do produto.
Além de mais acessível, com preço estimado 20% abaixo do medicamento de referência Saxenda — a nova opção amplia o acesso ao tratamento de uma condição que atinge mais de 20% da população brasileira, conforme dados do IBGE. A estratégia integra o plano de expansão da EMS no segmento de análogos de GLP-1, que inclui também o genérico da semaglutida, previsto para 2026, quando expira a patente vigente.
A produção é realizada em um parque fabril anexo à sede da empresa, em Hortolândia (SP), que recebeu investimentos superiores a R$ 500 milhões nos últimos 10 anos. A EMS estima que, em até dois anos, as canetas para emagrecimento representem 25% do faturamento total da companhia, cuja projeção de receita para 2025 é de R$ 10 bilhões.
Segundo Sanchez, o pioneirismo da EMS reflete não apenas uma resposta ao crescimento da demanda por tratamentos para obesidade, mas também um posicionamento claro de inovação e competitividade no cenário regulatório e comercial do setor farmacêutico brasileiro
Paralelamente ao mercado interno, a empresa prepara sua entrada no mercado internacional. Ainda em 2025, a EMS pretende exportar a liraglutida para os Estados Unidos por meio de uma parceria com uma distribuidora local. Nos Estados Unidos, a liraglutida já é amplamente difundida entre médicos e pacientes. Nossa expectativa é que, somente por lá, possamos alcançar US$ 1 bilhão em vendas nos próximos dois anos com essas canetas, projeta Sanchez.