A indústria farmacêutica enfrenta desafios crescentes, como regulamentações rígidas e cadeias de suprimentos globais cada vez mais instáveis. Na prática, as empresas não podem mais tomar decisões isoladas como antes.
Hoje, escolher ingredientes, materiais e parceiros exige uma análise completa, que, além do desempenho técnico, leve em conta a previsibilidade e a continuidade do fornecimento. Especialmente em um contexto em que ingredientes multifuncionais passam a desempenhar papel crítico, o uso de PEGs como excipientes e IFA apoiam na estabilidade e na performance das formulações, assim como o uso de embalagens funcionais garantem a proteção e integridade do produto final.
O desenvolvimento do setor chama a atenção. O mercado global de excipientes farmacêuticos, por exemplo, avaliado em cerca de US$ 10,5 bilhões para 2025, está prestes a quase dobrar seu tamanho na próxima década.
Em paralelo, segmentos específicos ganham relevância estratégica. É o caso do polietilenoglicol (PEG). Inserido no mercado de excipientes farmacêuticos e estimado em mais de US$ 9 bilhões globalmente, com crescimento anual na faixa de 6% a 7%, segundo análises de consultorias como GlobalData e IQVIA, o PEG se destaca como um dos insumos mais versáteis, acompanhando o avanço de formulações mais complexas, como biológicos e tecnologias de drug delivery.
O mercado global de ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) movimenta atualmente mais de US$ 200 bilhões por ano e deve crescer a uma taxa média anual entre 6% e 7% na próxima década, segundo estimativas de consultorias como GlobalData e Evaluate, impulsionado pela expansão dos genéricos, pelo avanço de biológicos e pela reconfiguração da cadeia global de suprimentos.
Ao mesmo tempo, reguladores intensificam a fiscalização. A U.S. Food and Drug Administration (FDA) tem reforçado mecanismos de controle para combater medicamentos fora de conformidade, ampliando a pressão sobre toda a cadeia produtiva e o que deve ser replicado em outras regiões.
Cenário brasileiro
No Brasil, o movimento acompanha essa tendência global. Dados do Sindusfarma mostram que o mercado farmacêutico nacional movimenta em torno de R$ 200 bilhões por ano, com crescimento consistente puxado por genéricos, biossimilares e maior acesso a tratamentos. O varejo farmacêutico vive um momento histórico, com recordes de faturamento a cada mês. Segundo dados da IQVIA, até novembro de 2025, o mercado movimentou R$ 243,33 bilhões, representando um crescimento anual de 10,81%.
Esse avanço vem acompanhado de maior rigor regulatório. A Anvisa tem ampliado exigências relacionadas à rastreabilidade, qualificação de fornecedores e controle de qualidade, aproximando o País dos padrões internacionais e elevando o nível de exigência para toda a cadeia.
No dinâmico mercado farmacêutico, cada decisão técnica ganha um peso estratégico fundamental. Optar por um excipiente ou IFA ou escolher o material ideal para a embalagem afeta o desempenho do medicamento e também influencia a sua estabilidade regulatória, a capacidade de produção em larga escala e o risco de interrupções na oferta. Principalmente quando se consideram excipientes com funções críticas, como agentes de controle de liberação, ligantes e modificadores de viscosidade.
A partir disso, amplia-se o papel dos fornecedores especializados da indústria química e de ciência dos materiais, que agora atuam como integradores, conectando e harmonizando as diversas etapas da cadeia farmacêutica para garantir eficiência e inovação.
Visão integrada
Lucas Sasahara, Global Marketing Leader para Health & Hygiene na Dow
A Dow é uma das companhias que atuam nesse espaço. Um destaque é que a empresa conecta formulação e embalagem sob uma mesma lógica de desempenho e confiabilidade. “Hoje, a escolha de um excipiente, IFA, ou de um material para embalagem não pode ser feita de forma isolada. Existe uma necessidade crescente de integrar desempenho técnico, conformidade regulatória e segurança de fornecimento”, afirma Lucas Sasahara, Global Marketing Leader para Health & Hygiene da companhia.
Na prática, essa abordagem descrita pelo executivo envolve desde o desenvolvimento de ingredientes com alto grau de pureza e controle de impurezas até materiais poliméricos desenhados para manter estabilidade e compatibilidade em diferentes condições de armazenamento e transporte.
Essa discussão também estará presente na FCE Pharma em junho, onde a Dow apresentará soluções voltadas a desafios estruturais da indústria, como continuidade de supply e previsibilidade em ciclos produtivos cada vez mais complexos.
Risco sistêmico
No campo das embalagens primárias, falhas deixam de ser eventos pontuais e passam a representar riscos sistêmicos, especialmente em um ambiente de maior vigilância regulatória.
Materiais com controle rigoroso de qualidade e estabilidade ganham relevância, como os polímeros da plataforma HEALTH+™, desenvolvidos para aplicações de embalagens médicas e farmacêuticas críticas, com foco em desempenho consistente, segurança e compatibilidade com processos industriais sensíveis. Fatores essenciais para reduzir variabilidade e garantir integridade ao longo do ciclo de vida do medicamento.
Formulação crítica
Maria Rita Perez de Oliveira, Regional Marketing Manager na Dow
Como na embalagem o foco está na proteção, na formulação o desafio está na previsibilidade. Ainda mais diante da crescente sofisticação dos medicamentos. “A qualidade e o controle de impurezas dos ingredientes têm impacto direto na estabilidade das formulações e na reprodutibilidade dos processos”, destaca Maria Rita Perez de Oliveira, Regional Marketing Manager da Dow.
A partir dessa visão, a linha CARBOWAX™ SENTRY™ da Dow, baseados em polietilenoglicóis (PEGs), são usados para melhorar propriedades como solubilidade, estabilidade e desempenho em diferentes formas farmacêuticas quando usados como excipientes e quando usado como IFA para laxantes osmóticos que apresentam performance mais suave e sem efeitos adversos quando comparados a outros materiais usados nessa aplicação.
Além disso, esses materiais contribuem para maior robustez produtiva, atuando como aglutinantes e plastificantes em formulações sólidas, o que favorece consistência entre lotes e maior previsibilidade em escala industrial.
Em um ambiente marcado por maior pressão regulatória, expansão do mercado de medicamentos e cadeias de suprimento mais sensíveis, a escolha de materiais e ingredientes deixa de ser apenas técnica e passa a ser estratégica. Isso tudo, claro, com impacto direto na qualidade, na segurança e na viabilidade de longo prazo de terapias cada vez mais complexas.
Transformação da indústria
Insumos amplamente utilizados como o polietilenoglicol (PEG) — presente, por exemplo, em formulações laxativas — se inserem em um contexto de mudanças demográficas e terapêuticas, marcado pelo envelhecimento da população, pelo uso ampliado de medicamentos associados à constipação e pela crescente atenção à saúde intestinal. Esse cenário reforça a demanda por ingredientes com desempenho funcional consistente e perfil de segurança consolidado.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios estruturais. Falhas em cadeias logísticas com controle de temperatura geram perdas estimadas em cerca de US$ 34 bilhões ao ano, segundo estimativas do IQVIA Institute for Human Data Science, em análise divulgada pela SupplyChainBrain, evidenciando o impacto das ineficiências em um ambiente de crescente exigência regulatória e operacional.
Esse quadro também se reflete no aumento de recalls (Sedgwick – Relatório Anual EUA), frequentemente associados a falhas de qualidade e problemas em embalagens — que estão entre as principais causas de recolhimentos de medicamentos em diferentes mercados. Estudos indicam que a maior parte dos recalls está ligada a desvios de qualidade, segundo análises publicadas em periódicos científicos e dados regulatórios compilados em bases como o PubMed e o BMJ Open, reforçando a necessidade de maior integração entre as etapas de desenvolvimento e produção, incluindo a escolha criteriosa de ingredientes e materiais capazes de reduzir variabilidade e riscos ao longo da cadeia.
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