Organização Mundial da Saúde busca alinhar reguladores, fabricantes e sistemas de saúde para reduzir as emissões do setor
A Organização Mundial da Saúde (OMS) avança na construção de uma agenda global voltada à redução da pegada de carbono da indústria farmacêutica. Em um encontro realizado em maio e divulgado neste mês, a entidade reuniu representantes de mais de 30 organizações internacionais para discutir como a regulação pode impulsionar a transição para medicamentos e processos produtivos mais sustentáveis.
O fórum virtual contou com a participação de autoridades regulatórias, fabricantes, instituições de saúde, organizações de compras públicas, universidades e especialistas em sustentabilidade. O objetivo foi identificar caminhos para que a agenda climática seja incorporada ao setor farmacêutico sem comprometer a disponibilidade, a eficácia e a segurança dos produtos destinados à população.
A iniciativa integra os trabalhos da futura publicação da OMS sobre a chamada “Rodovia Regulatória para Medicamentos Mais Verdes”, documento previsto para ser divulgado em julho de 2026. A proposta é oferecer diretrizes para que reguladores atuem como facilitadores da descarbonização, eliminando barreiras e incentivando práticas mais sustentáveis ao longo da cadeia produtiva.
Durante as discussões, um dos principais consensos foi o reconhecimento do papel estratégico dos órgãos reguladores na transformação ambiental do setor. Embora a sustentabilidade ainda não esteja formalmente incorporada a muitos marcos regulatórios, especialistas destacaram que mecanismos já existentes podem contribuir para acelerar mudanças sem comprometer os padrões de qualidade exigidos pela indústria.
A manufatura farmacêutica foi apontada como um dos principais focos de emissões de gases de efeito estufa. Estudos apresentados durante o encontro indicam que grande parte do impacto ambiental está concentrada na produção de insumos farmacêuticos ativos (APIs), etapa considerada crítica dentro da cadeia de suprimentos.
Outro tema que ganhou destaque foi o poder das compras públicas e privadas como ferramenta de transformação. Organizações internacionais ressaltaram que critérios de aquisição voltados à sustentabilidade podem estimular fornecedores a medir, divulgar e reduzir suas emissões, criando incentivos para a adoção de processos mais eficientes e inovadores.
Experiências compartilhadas por sistemas de saúde também demonstraram que avanços ambientais podem caminhar lado a lado com melhorias na assistência. Um dos exemplos apresentados envolveu iniciativas para ampliar o acesso a inaladores de menor impacto climático, resultado de colaboração entre autoridades regulatórias, indústria e gestores de saúde.
Os participantes defenderam ainda a criação de padrões internacionais harmonizados para mensuração de emissões e identificação dos principais pontos de impacto ambiental na cadeia farmacêutica. Segundo especialistas, a adoção de metodologias comuns pode reduzir a fragmentação regulatória, simplificar exigências e acelerar a implementação de estratégias sustentáveis em diferentes mercados.
As contribuições obtidas durante a consulta servirão de base para um encontro global de reguladores marcado para 19 de junho e para a elaboração do documento final da OMS. A expectativa é que a iniciativa ajude a consolidar uma agenda capaz de equilibrar crescimento, inovação, acesso à saúde e responsabilidade ambiental, temas que ganham cada vez mais relevância na estratégia das empresas farmacêuticas e de saúde em todo o mundo.