Grupo propõe medidas para fortalecer vigilância e ampliar o uso racional de antifúngicos na revisão do plano global da OMS.
Um grupo internacional de pesquisadores apresentou propostas para ampliar a atenção à resistência antifúngica na próxima atualização do Plano de Ação Global sobre Resistência Antimicrobiana da Organização Mundial da Saúde (OMS), prevista para este ano. Publicadas na revista Nature Medicine, as recomendações defendem uma abordagem mais abrangente para fortalecer a prevenção, o monitoramento e o desenvolvimento de soluções voltadas às infecções fúngicas.
O artigo reúne especialistas de diferentes países, incluindo os brasileiros Arnaldo Lopes Colombo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Amanda Ribeiro dos Santos, da Universidade de São Paulo (USP), e Flavio Queiroz-Telles, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo os autores, a atualização do plano representa uma oportunidade para incorporar ações específicas voltadas à resistência antifúngica dentro da estratégia global de combate à resistência aos antimicrobianos.
Entre as propostas apresentadas está a criação de uma força-tarefa internacional composta por especialistas em micologia, saúde pública, medicina veterinária, meio ambiente e formulação de políticas públicas. O objetivo é promover iniciativas colaborativas capazes de fortalecer a vigilância, estimular a pesquisa e ampliar a integração entre diferentes setores por meio da abordagem Saúde Única (One Health).
Os pesquisadores também destacam a importância de ampliar investimentos em métodos de diagnóstico mais rápidos e acessíveis, incentivar o desenvolvimento de novos antifúngicos e facilitar o acesso às terapias disponíveis. O documento ainda sugere apoio a estudos clínicos, transferência de tecnologia e fortalecimento da capacidade produtiva, especialmente em países de baixa e média renda.
Outra prioridade apontada é a expansão da capacidade dos laboratórios hospitalares para realizar testes de sensibilidade a antifúngicos, além da implementação de programas voltados ao uso racional desses medicamentos na saúde humana, medicina veterinária e agropecuária.
Para os autores, a incorporação dessas medidas ao plano da OMS pode fortalecer a resposta global às infecções fúngicas e impulsionar a inovação científica, promovendo maior integração entre pesquisa, saúde pública e desenvolvimento de novas soluções terapêuticas.