Kisunla demonstrou eficácia de até 35% na desaceleração do declínio cognitivo em estágios iniciais da doença
A Anvisa aprovou nesta terça-feira (22) o uso do Kisunla (donanemabe), medicamento desenvolvido pela Eli Lilly para o tratamento de pacientes com Alzheimer em estágio inicial. É o primeiro fármaco liberado no Brasil para o comprometimento cognitivo leve ou demência leve causados pela doença.
Aprovado nos Estados Unidos em julho de 2023, o Kisunla demonstrou, segundo a fabricante, redução significativa das placas amiloides — estruturas associadas à degeneração dos neurônios — e retardou em até 35% o declínio cognitivo e funcional dos pacientes ao longo de 18 meses de tratamento, em comparação com placebo.
O anticorpo monoclonal age ligando-se à proteína beta-amiloide, responsável pela formação das placas no cérebro, e promovendo sua remoção. A aprovação no Brasil foi baseada em um estudo clínico com 1.736 participantes, e o medicamento já está autorizado para comercialização no país dentro das indicações estabelecidas.
No entanto, o uso é contraindicado para pacientes em uso de anticoagulantes, como a varfarina, ou com diagnóstico de angiopatia amiloide cerebral (AAC). Os efeitos adversos mais frequentes incluem reações relacionadas à infusão, febre, dores de cabeça e alterações associadas à proteína amiloide.
Anne White, vice-presidente executiva da Eli Lilly e presidente da Lilly Neuroscience, ressaltou que o medicamento representa um avanço significativo para o tratamento precoce do Alzheimer e reforçou o compromisso da empresa em ampliar o diagnóstico e o acesso a terapias eficazes.