Imunoterápico nivolumabe recebe autorização para uso combinado em pacientes adultos e pediátricos com diagnóstico de câncer hematológico em estágio avançado
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oficializou nesta segunda feira a ampliação do uso terapêutico do Opdivo (nivolumabe) no Brasil. Já consolidado no tratamento de melanoma e câncer de pulmão, o medicamento agora poderá ser prescrito para pacientes adultos e adolescentes a partir de 12 anos com linfoma de Hodgkin clássico (LHc) em estágios III ou IV. A nova indicação prevê a utilização do fármaco em combinação com o protocolo AVD (doxorrubicina, vimblastina e dacarbazina), oferecendo uma nova linha de cuidado para esta neoplasia rara e grave.
O linfoma de Hodgkin clássico atinge desproporcionalmente jovens e adultos, sendo uma doença potencialmente debilitante. Embora apresente altas taxas de cura, cerca de 15% a 30% dos pacientes em estágios avançados não respondem ao tratamento convencional ou apresentam recaídas. A aprovação regulatória preenche uma lacuna crítica para casos refratários, permitindo que a imunoterapia de precisão atue no fortalecimento do sistema imune para combater as células cancerígenas de forma mais eficaz.
Redução expressiva no risco de progressão da doença
A decisão da Anvisa fundamentou-se nos dados do estudo clínico de fase III CA2098UT, que comprovou a eficácia e segurança da combinação terapêutica. Os resultados demonstraram que o uso do Opdivo associado ao protocolo AVD reduziu entre 50% e 60% o risco de progressão da doença ou óbito em comparação às terapias tradicionais. O perfil de segurança foi considerado adequado pela agência, consolidando o benefício clínico da intervenção em estágios avançados.
A publicação da Resolução (RE) 1.441/2026 no Diário Oficial da União marca um avanço importante na oncologia hematológica nacional. Com a inclusão desta nova indicação, o sistema de saúde brasileiro passa a contar com uma ferramenta terapêutica robusta para enfrentar uma condição que, apesar de curável em muitos casos, ainda impõe desafios severos para uma parcela significativa de pacientes que enfrentam recidivas ou resistência aos tratamentos de primeira linha.