O cuidado com a saúde, que envolve cada vez mais o consumo de vitaminas, suplementos e medicamentos, requer atenção nas alternativas disponíveis que sejam mais convenientes, fáceis de usar, transportar, armazenar e, especialmente, deglutir.
Nesse sentido, entre as várias formas de apresentação desses produtos, as cápsulas de gelatina têm se tornado grandes aliadas não apenas da indústria farmacêutica, mas principalmente dos consumidores, por serem viáveis e estarem disponíveis em um número cada vez maior de produtos, em tamanhos e formatos variados, proporcionando inúmeras possibilidades de uso.
Diferentemente dos comprimidos, que são essencialmente uma mistura de pós compactados, as cápsulas são constituídas de uma película formada predominantemente por gelatina que envolve e protege o princípio ativo contido no seu interior. A escolha desta forma de apresentação, hoje, domina a preferência global em função de todas as vantagens já mencionadas e ainda por não agredirem o sistema digestivo, evitando potenciais desconfortos que outras formas farmacêuticas podem eventualmente apresentar.
A gelatina é uma proteína pura derivada do colágeno, sem sabor, sem cor, sem glúten, sem gordura e açúcares, não alergênica, e desta forma é o produto ideal para a elaboração de cápsulas para os mais diversos fins, proporcionando ao consumidor uma alternativa de administração oral agradável, prática, de fácil armazenamento e total segurança na proteção dos ativos nelas contidos.
Por ser uma proteína derivada do colágeno, que é produzido naturalmente pelo organismo e encontrado no tecido conjuntivo, a gelatina tem a propriedade de dissolver na temperatura do nosso corpo, tornando-a um ingrediente extremamente interessante em inúmeras aplicações alimentícias, conferindo uma sensação única na boca não encontrada em nenhum outro hidrocoloide.
Na indústria farmacêutica, seu uso na fabricação de cápsulas promove a proteção do seu conteúdo contra a entrada de oxigênio, luz e umidade, além de proporcionar uma aparência com brilho e transparência. Não menos relevante, é a facilidade de deglutição que elas promovem, contribuindo para uma alta adesão dos consumidores aos tratamentos ou suplementações de que fazem uso de forma rotineira.

Atualmente no Brasil a regulamentação para os suplementos alimentares em cápsulas segue a Resolução RDC 243, de julho de 2018, da Anvisa, que normatiza os requisitos para composição, qualidade, segurança e rotulagem destes produtos, assim como contempla a lista atualizada de nutrientes, substâncias bioativas, enzimas e probióticos permitidos.
Essas novas regras devem melhorar o acesso dos consumidores brasileiros a produtos seguros e de qualidade. Outro impacto esperado com essa nova regulamentação é a redução das distorções e informações imprecisas muito comuns no mercado, especialmente na divulgação de conteúdos e de teorias sem comprovação científica, que representam um perigo potencial, especialmente quando se trata de produtos como remédios e suplementos que são ingeridos para melhorar a nossa saúde.
Cross-linking ou reticulação de cápsulas
Conforme mencionado, uma das propriedades interessantes da gelatina é a sua dissolução (derretimento) na temperatura corporal. No entanto, a sua estrutura formada por grandes cadeias e ramificações pode levar a um processo que chamamos de “reticulação”, ou “cross-linking”, que consiste em uma aproximação dessas ramificações e a ligação entre elas, levando a um aumento do tamanho dessa estrutura (peso molecular). Esse aumento do peso molecular pode levar a uma insolubilização das cápsulas, retardando ou mesmo inviabilizando a liberação do seu conteúdo no organismo.
A velocidade e frequência de ocorrência destas reações são determinadas por diversos fatores, dentre os quais podemos citar a temperatura, umidade, a presença de alguns íons, incidência de raios ultravioleta, ou mesmo as interações e reatividade entre a parede das cápsulas de gelatina com os princípios ativos dos medicamentos e suplementos do seu interior. Outros compostos das formulações das cápsulas, como corantes, ou a presença de alguns contaminantes, também podem desencadear as reações de reticulação.
Todos estes fatores tornam de fundamental importância o cuidado não apenas na escolha dos insumos que farão parte da parede das cápsulas (gelatina, plastificantes e água) como dos próprios enchimentos, opacificantes e corantes, que devem ser do mais alto grau de pureza.
Considerando que as cápsulas tenham sido formuladas com insumos de qualidade e com processos controlados, as etapas seguintes da cadeia, em particular o armazenamento destas cápsulas, é algo que temos que considerar, já que o destino delas é o nosso organismo, onde as mesmas têm de cumprir a função de liberar o seu conteúdo.
Lembrando que temperatura e umidade exercem um papel fundamental na estabilidade de compostos contendo gelatina, como as cápsulas, estes estão entre os muitos fatores que podem afetar o prazo de validade de um suplemento ou medicamento. Outros fatores relacionam-se ao próprio produto, como umidade e pH, enquanto outros são externos ao produto, tais como as condições de embalagem, os materiais e as condições de armazenamento e transporte.
Assim, cápsulas gelatinosas irão apresentar, por exemplo, uma visível deformação se expostas a temperatura e umidade altas, além da formação de uma película insolúvel na interface parede-enchimento (produto da reticulação) que impede a liberação deste conteúdo no nosso organismo da forma esperada.
Regiões de clima tropical, com temperaturas e umidades elevadas em comparação com as condições climáticas do Hemisfério Norte, por exemplo, merecem especial atenção nos controles de estocagem e transporte. O Brasil em particular está enquadrado na zona climática denominada “IV-b” (30°C ± 2°C e 75%UR ± 5%UR) sendo estas as condições às quais os suplementos e fármacos devem ser submetidos nos estudos de estabilidade de longo prazo. Nessas condições, consideradas bastante críticas, a dissolução da cápsula de gelatina pode ser comprometida, como consequência do processo de cross-linking. Isto reforça a necessidade de os fabricantes utilizarem insumos de alta qualidade para termos um fármaco ou um suplemento vitamínico eficiente.
A GELITA, líder global em gelatinas e colágenos, tem um portfólio amplo de gelatinas farmacêuticas para aplicação em cápsulas, com tecnologias exclusivas e patenteadas que evitam a formação do cross-linking ou reticulação, prolongando consideravelmente a estabilidade do suplemento durante o prazo de validade, mesmo nas condições mais críticas de armazenamento determinadas pela regulamentação vigente.
Essas tecnologias, resultado de pesquisas e projetos de inovação, permitem a fabricação de cápsulas que atendem a diferentes tipos de medicamentos e suplementos, que demandam liberação dos seus conteúdos em tempos diferentes, ou seja, liberações mais rápidas ou mais lentas no organismo.
Além de ampliar e garantir a estabilidade das cápsulas gelatinosas, garantindo sua vida de prateleira, as tecnologias patenteadas anti-cross-linking da GELITA garantem ação mais rápida de medicamentos e suplementos.
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