Farmacêutica prepara lançamento do daridorexanto, molécula inédita que inaugura nova classe terapêutica no país.
A EMS avança em sua estratégia de inovação ao firmar acordo com a farmacêutica suíça Idorsia para introduzir no Brasil o daridorexanto, medicamento de última geração para o tratamento da insônia. Já comercializado em mercados internacionais sob a marca Quviviq, o fármaco está em processo de avaliação regulatória pela Anvisa e representa a entrada de uma nova classe terapêutica no país.
A iniciativa se apoia na posição consolidada da EMS nesse segmento. Desde 2015, a companhia lidera o tratamento da insônia com o Patz, versão do zolpidem que se tornou referência entre médicos e pacientes. O medicamento registra vendas superiores a 100 mil unidades mensais e responde por um faturamento anual acima de R$ 100 milhões, tornando-se um dos pilares do portfólio da empresa.
Segundo Marcos Sanchez, vice-presidente da EMS, o daridorexanto não foi concebido como um substituto direto, mas como uma evolução tecnológica. A proposta é oferecer um sono mais próximo do padrão fisiológico, com ação que se encerra no momento do despertar, reduzindo efeitos residuais como sonolência diurna e cansaço prolongado — limitações comuns em terapias tradicionais.
O acordo de licenciamento envolve um investimento de US$ 20 milhões, além de royalties vinculados ao desempenho comercial do produto. Os pagamentos estão condicionados a marcos regulatórios e ao início das vendas. A estratégia também contempla a expansão para outros mercados da América Latina, com pedido de registro no México previsto e expectativa de comercialização a partir de 2028.
No Brasil, a EMS projeta faturamento de aproximadamente R$ 75 milhões no primeiro ano após o lançamento, com volume estimado de 16,5 milhões de comprimidos. Inicialmente, o medicamento será integralmente produzido e embalado na Suíça, uma vez que a Idorsia mantém a fabricação sob controle próprio. A expectativa da companhia é iniciar as vendas em meados de 2027, após aprovação da Anvisa e definição de preço pela CMED.
O lançamento ocorre em um cenário de alta prevalência de distúrbios do sono no país. Estudos citados por instituições como a Fiocruz e a Associação Brasileira do Sono indicam que mais de 70% dos brasileiros relatam algum tipo de alteração no sono, com impactos diretos na saúde mental, no risco cardiovascular e na produtividade.
Ao mesmo tempo, o uso prolongado e, em alguns casos, inadequado de medicamentos como o zolpidem tem levantado discussões sobre efeitos colaterais e risco de dependência. A EMS afirma adotar protocolos rigorosos de prescrição controlada, monitoramento médico e programas de educação continuada para estimular o uso racional dessas terapias.
A movimentação no segmento do sono integra um plano mais amplo de diversificação e inovação da farmacêutica. Em 2024, a EMS inaugurou a primeira fábrica de peptídeos do Brasil, voltada à produção de análogos de GLP-1 para obesidade e diabetes tipo 2. As versões nacionais dessas moléculas chegaram ao mercado em 2025 e superaram as projeções iniciais de vendas, reforçando a ambição da companhia em liderar frentes terapêuticas de alto valor agregado.
Com o daridorexanto, a EMS busca repetir essa trajetória, combinando ciência, posicionamento premium e estratégia de mercado em um segmento com forte demanda reprimida e crescente relevância para a saúde e o bem-estar.