O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) acaba de obter o registro da nova formulação do antimalárico Primaquina 5mg junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Fruto de desenvolvimento totalmente interno, o medicamento é considerado inovador por apresentar uma nova concentração no Brasil. As informações são da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz.
Com essa chancela, além de ampliar o portfólio do Instituto, a iniciativa garantirá que a população tenha acesso ao tratamento completo da doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária (PNCM), que contempla Cloroquina, Artesunato+Mefloquina (ASMQ) e a Primaquina nas duas concentrações (5mg e 15mg), todos fabricados e distribuídos por Farmanguinhos.
Inovação
A Primaquina é uma molécula que já vem sendo utilizada no Brasil há mais de 60 anos. Inclusive, o produto já fez parte do portfólio institucional e comercializado por outros laboratórios. Com o avanço da ciência, o advento de novas tecnologias e as recentes alterações nas legislações, surgiu a necessidade de atribuir melhorias ao fármaco e ofertar um produto que gerasse melhor desempenho para o tratamento da patologia.
O trabalho teve como foco o aprimoramento do produto de Farmanguinhos na concentração de 15mg, que foi englobado pelo portfólio de projetos da instituição. Em paralelo, eram realizados estudos do desenvolvimento da concentração de 5mg, que não existia no mercado, mas era de interesse mundial para um tratamento mais adequado em determinados casos da enfermidade.
Estratégia regulatória
Além de oferecer mais qualidade aos pacientes, a nova formulação atendeu a uma necessidade de ampliar a relação de medicamentos contra malária, tanto da OMS quanto do Ministério da Saúde. “É o único medicamento que trata a cepa vivax e a recidiva (recorrente), sem o qual não é possível eliminar a malária. Ou seja, possibilita a cura total. Mesmo sendo uma molécula antiga, a Primaquina tem uma relevância muito grande, tanto que consta no Guia da OMS. Trouxemos a inovação pela formulação e por uma necessidade regulatória para comparar a bioequivalência do produto. Com isso, vamos contribuir para o tratamento no Brasil e, futuramente, com a aprovação na OMS, no mundo”, observa a chefe de Assuntos Regulatórios, Soraya Mileti.
Fonte: Panorama Farmacêutico 18.03.2022
