Primeiro anticorpo aprovado pela Anvisa para retardar a progressão do Alzheimer em estágio inicial começa a ser disponibilizado no Brasil,
A partir do fim de junho de 2026, o mercado farmacêutico brasileiro passa a contar com uma das terapias mais aguardadas para o tratamento da doença de Alzheimer. O Leqembi, desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2025, começa a chegar às farmácias do país como uma nova alternativa para pacientes diagnosticados com a fase inicial da doença.
O medicamento utiliza a tecnologia de anticorpos monoclonais para atuar diretamente sobre as placas de beta-amiloide, proteína associada ao desenvolvimento do Alzheimer. Administrado por meio de infusões intravenosas quinzenais, o tratamento tem como objetivo desacelerar a progressão do comprometimento cognitivo em pacientes selecionados.
A aprovação regulatória foi sustentada pelos resultados de um estudo internacional de fase avançada que acompanhou 1.795 indivíduos com Alzheimer inicial durante 18 meses. Os dados demonstraram uma desaceleração estatisticamente significativa do declínio cognitivo quando comparado ao placebo, reforçando o potencial da terapia como uma ferramenta inovadora no manejo da doença.
Apesar do avanço científico representado pela chegada do Leqembi ao mercado brasileiro, especialistas destacam que os resultados clínicos devem ser interpretados com cautela. Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) observam que o benefício registrado nos testes cognitivos foi considerado modesto e pode não resultar em mudanças perceptíveis na rotina de todos os pacientes e seus familiares.
Outro ponto de atenção envolve o perfil de segurança da terapia. Durante os estudos clínicos, uma parcela relevante dos participantes apresentou eventos adversos neurológicos, incluindo casos de edema cerebral e micro-hemorragias, condições que exigem monitoramento constante e acompanhamento especializado.
O acesso também surge como um dos principais desafios para a adoção da nova tecnologia. Com custo estimado em aproximadamente R$ 20 mil por mês, o tratamento ainda não possui previsão de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) nem de cobertura ampla pelos planos de saúde. Além disso, a jornada terapêutica requer uma estrutura médica complexa, incluindo exames de imagem avançados, testes genéticos e acompanhamento multidisciplinar.
A chegada do Leqembi às farmácias brasileiras marca um momento importante para o setor de saúde e para o mercado voltado ao envelhecimento da população. Ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades terapêuticas para uma doença de alta prevalência, a novidade evidencia os desafios que acompanham a introdução de medicamentos de alta tecnologia, especialmente em um cenário de crescente demanda por tratamentos inovadores e personalizados.