Terapia com ação na fase inicial da doença mostra resultados promissores e aguarda aprovação da Anvisa
Um novo tratamento contra o Alzheimer, com potencial para retardar o avanço da doença em estágios iniciais, poderá ser disponibilizado no Brasil ainda em 2025. A farmacêutica Eli Lilly já submeteu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o pedido de aprovação do donanemabe. O lançamento do medicamento depende agora da liberação regulatória e da definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Trata-se da primeira terapia com administração por tempo limitado voltada à remoção da placa amiloide — proteína associada à progressão da doença. O donanemabe é indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve e diagnóstico confirmado de patologia amiloide, atuando por meio de uma imunoterapia que estimula o sistema imunológico a eliminar a proteína beta-amiloide acumulada no cérebro.
Segundo os dados clínicos apresentados, aproximadamente 75% dos pacientes tratados conseguiram eliminar essa proteína, enquanto o declínio cognitivo e funcional foi reduzido em até 35% quando comparado ao placebo. O risco de progressão clínica da doença também foi reduzido em até 39%.
Administrado por infusão intravenosa mensal, o tratamento pode durar até 18 meses — embora metade dos pacientes tenha completado o protocolo em 12 meses. Cada sessão de infusão leva cerca de 30 minutos.
Os efeitos adversos mais frequentes foram leves e incluíram dores de cabeça, reações à infusão e casos isolados de edema cerebral ou micro-hemorragias. Mais de 80% dos eventos adversos foram detectados apenas por exames, sem manifestação clínica.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que a ação do medicamento sobre a proteína beta-amiloide não gera melhora perceptível nos sintomas em curto prazo. Além disso, o uso requer ambiente hospitalar e alto custo. Nos Estados Unidos, o tratamento pode chegar a US$ 35 mil por ano (cerca de R$ 172 mil), o que representa mais um desafio à sua incorporação em sistemas de saúde pública e suplementar.