Estudo avaliará a efetividade, os impactos clínicos e a viabilidade do uso da semaglutida em pacientes com obesidade grave.
O Ministério da Saúde deu início a um projeto-piloto para avaliar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa será desenvolvida no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Rio Grande do Sul, e integra um estudo que busca gerar evidências sobre a aplicação de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 na rede pública.
Batizado de Real-Bari, o estudo acompanhará 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras comorbidades, todos já em acompanhamento no GHC e com indicação para cirurgia bariátrica. O protocolo foi elaborado em parceria entre o Ministério da Saúde e a equipe técnica da instituição, com foco na segurança dos participantes e no monitoramento contínuo por especialistas.
Ao longo de dois anos, a pesquisa analisará indicadores como perda de peso, evolução da qualidade de vida, resultados clínicos, desfechos pós-operatórios e os custos relacionados ao tratamento. A expectativa é produzir evidências nacionais que possam subsidiar futuras decisões sobre a organização da assistência à obesidade no SUS.
Para participar do estudo, os pacientes deverão apresentar diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses, histórico de insucesso no tratamento clínico convencional, incluindo dieta estruturada, atividade física e capacidade de realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com apoio de um cuidador.
Os recursos para a pesquisa serão destinados ao hospital por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), utilizando aporte financeiro da fabricante da semaglutida.
Embora medicamentos à base de semaglutida e liraglutida ainda não integrem a lista de tecnologias incorporadas ao SUS, o projeto-piloto representa uma etapa importante na geração de evidências para apoiar futuras avaliações da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Segundo dados do Ministério da Saúde, o sistema público realizou 9,7 milhões de atendimentos relacionados à obesidade em 2025, um crescimento de 57% em comparação com 2022.