Mounjaro se destacou frente aos concorrentes Ozempic e Wegovy, apresentando resultados significativos na redução de peso, conforme pesquisa publicada na JAMA Internal Medicine
Um novo estudo divulgado pela revista científica JAMA Internal Medicine em 8 de julho demonstrou que a tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, é mais efetiva na perda de peso do que a semaglutida, ativo presente nos medicamentos Ozempic e Wegovy, entre pacientes com sobrepeso e obesidade.
De acordo com os resultados da pesquisa, os participantes que utilizaram tirzepatida alcançaram uma média de perda de peso corporal de 15,3%, enquanto aqueles tratados com semaglutida apresentaram uma redução média de 8,3%.
Este estudo é o primeiro a comparar diretamente a efetividade dessas duas substâncias, cujos dados anteriores eram baseados em ensaios clínicos de fase 3 conduzidos separadamente para cada medicamento.
Marcio Mancini, diretor do Departamento de Tratamento Farmacológico da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), comentou sobre os resultados, destacando que a tirzepatida já havia demonstrado superioridade sobre a semaglutida nos ensaios clínicos prévios.
No Brasil, o Mounjaro recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em setembro de 2023 para o tratamento de diabetes tipo 2, mas ainda não está disponível comercialmente. Nos Estados Unidos e em outros países, o medicamento também foi aprovado para o tratamento da obesidade e sobrepeso. Por outro lado, a semaglutida tem autorização da Anvisa para ambas as indicações, sendo o Ozempic indicado para diabetes tipo 2 e o Wegovy para obesidade e sobrepeso.
Atualmente, somente o Ozempic está disponível nas farmácias brasileiras, enquanto a expectativa é que o Wegovy seja lançado no mercado nacional em agosto. Enquanto isso, médicos têm prescrito o Ozempic de forma off label para o tratamento da obesidade.
O estudo foi conduzido a partir de registros clínicos de cerca de 41 mil pacientes com sobrepeso ou obesidade nos Estados Unidos que iniciaram tratamento com tirzepatida ou semaglutida. Após um ano de uso dos medicamentos, além da diferença na perda de peso média, observou-se que uma proporção significativamente maior de pacientes tratados com tirzepatida atingiu perdas de peso clinicamente relevantes: 81,8% atingiram 5% ou mais de perda de peso, 62,1% alcançaram 10% ou mais, e 42,3% conseguiram 15% ou mais.
Para Marcio Mancini, quanto maior a porcentagem de perda de peso, mais evidente se torna a diferença entre os dois medicamentos. Ele ressalta que, embora ambas as moléculas sejam eficazes e seguras, a escolha entre uma ou outra depende das características individuais de cada paciente, incluindo a necessidade de perda de peso e o custo do tratamento.
O preço elevado dos medicamentos, como o Ozempic que chega a custar cerca de R$ 1 mil por caneta, e a expectativa de preços ainda mais altos para Wegovy e Mounjaro, representam um desafio significativo para o acesso amplo a essas terapias inovadoras.