Documento atualiza protocolos após dez anos e prioriza fármacos de alta potência como semaglutida e tirzepatida associados a mudanças de estilo de vida
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou nesta terça feira uma nova diretriz que redefine o manejo farmacológico da obesidade no Brasil. O documento, coordenado pelo endocrinologista Fernando Gerchman, substitui a versão de 2016 e traz como principal inovação a recomendação de iniciar o tratamento medicamentoso já na fase inicial da intervenção, abandonando a prática anterior de aguardar a falha de métodos comportamentais isolados.
As novas diretrizes baseiam se no avanço robusto de estudos científicos sobre moléculas como liraglutida, semaglutida e tirzepatida. A recomendação é que, sempre que possível, sejam priorizados fármacos de maior potência por apresentarem impactos clínicos mais significativos na redução de peso e controle de comorbidades. O tratamento é indicado para pacientes com IMC igual ou superior a 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² na presença de condições associadas, como hipertensão ou diabetes.
Abordagem multidisciplinar e personalização do tratamento
O material reúne 32 recomendações que reforçam a necessidade de combinar o uso de medicamentos a três pilares fundamentais: aconselhamento nutricional, atividade física aeróbica e treinamento de força. Este último ganha destaque por ser essencial na preservação da massa muscular durante o processo de emagrecimento, prevenindo quadros de sarcopenia. A diretriz prioriza dietas ricas em alimentos in natura e a redução drástica de ultraprocessados.
Outro ponto focal da atualização é a personalização terapêutica, adaptando as intervenções ao contexto socioeconômico e às preferências clínicas do paciente. Em casos de resposta insuficiente a uma única droga, a Abeso agora sugere a combinação de fármacos com diferentes mecanismos de ação e o uso prolongado das terapias para evitar o reganho de peso. O documento também alerta que o IMC não deve ser o único critério de decisão, sendo o acúmulo de gordura abdominal um fator determinante para o início do tratamento farmacológico mesmo em pacientes com sobrepeso leve.