Enlicitide apresenta eficácia superior a comprimidos convencionais em pacientes de alto risco e deve ter registro solicitado ainda este ano
A farmacêutica MSD apresentou resultados promissores de seu novo medicamento experimental, o enlicitide, capaz de reduzir os níveis de colesterol ruim (LDL) em mais de 64% em pacientes que já utilizam estatinas. Os dados, revelados no encontro do American College of Cardiology, em Nova Orleans, indicam que a pílula oral possui potência comparável às injeções de alto custo utilizadas atualmente para o tratamento de obstruções arteriais.
O estudo demonstrou que a queda no colesterol proporcionada pelo enlicitide foi significativamente maior do que a observada com terapias orais consolidadas, como o Zetia e o Nexletol. O fármaco atua na inibição da proteína PCSK9, impedindo que ela interfira na remoção do colesterol LDL do sangue. A migração para a via oral é vista por especialistas como um marco que pode ampliar o acesso ao tratamento, oferecendo uma alternativa mais barata e conveniente às aplicações injetáveis.
Aceleração regulatória e potencial de mercado
Diante dos resultados positivos, a MSD planeja protocolar o pedido de aprovação nas agências reguladoras, incluindo o FDA norte-americano, no inverno brasileiro deste ano. O medicamento foi incluído em um programa de acesso acelerado devido ao seu potencial em combater doenças cardíacas, a principal causa de mortes globalmente. Analistas do setor estimam que as vendas do enlicitide possam atingir US$ 5 bilhões até 2034.
Embora ensaios de longo prazo para verificar a prevenção de ataques cardíacos e mortes ainda estejam em andamento, a comunidade médica demonstra entusiasmo com a possibilidade de levar mais pacientes às metas ideais de LDL, especialmente aqueles em grupos de risco que não atingem níveis seguros apenas com o uso de estatinas. “Ter um inibidor de PCSK9 oral é uma enorme vantagem clínica”, destaca a diretoria de desenvolvimento clínico global da companhia.